POLÍTICA PÚBLICA DE USO CONSCIENTE
DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Uma diretriz para usar inteligência artificial com criatividade,
responsabilidade, transparência, cuidado humano e respeito ao planeta.
Por Vinicius Montana
Versão pública para o site • Setembro de 2026
Sobre esta versão
Esta é a versão pública da Política de Uso Consciente da Inteligência Artificial da Creators by Truth. Ela apresenta os princípios, compromissos e critérios que orientam nossa relação com sistemas de inteligência artificial em pesquisa, estratégia, design, criação, produção, análise e atividades de apoio.
Seu objetivo é tornar transparente como buscamos aproveitar benefícios reais da tecnologia sem terceirizar julgamento, comprometer autoria, expor informações, reproduzir danos ou ignorar impactos sociais e ambientais. A versão pública preserva o conteúdo essencial da política interna, mas elimina procedimentos administrativos, campos de assinatura e instruções operacionais que dizem respeito exclusivamente à rotina da equipe.
A inteligência artificial evolui rapidamente. Por isso, esta política é um documento vivo e poderá ser atualizada à medida que surgirem novas evidências, ferramentas, riscos, práticas e mudanças regulatórias.
1. Por que esta política existe
A IA generativa já participa de atividades de pesquisa, escrita, design, estratégia, atendimento, produção audiovisual e gestão. Ela pode acelerar tarefas, ampliar o acesso a referências, facilitar a exploração de possibilidades e reduzir trabalho repetitivo. Ao mesmo tempo, pode produzir informações incorretas, reproduzir ou amplificar vieses, expor dados, gerar conflitos de propriedade intelectual, aumentar a dependência de fornecedores e alterar a forma como pessoas pensam, aprendem e decidem.
Organizações internacionais e estruturas de governança vêm convergindo em princípios como centralidade humana, supervisão, transparência, privacidade, segurança, responsabilização e gestão de riscos ao longo do ciclo de vida. A Creators adota esses princípios e acrescenta uma dimensão coerente com sua cultura: o uso da IA deve fortalecer a criatividade consciente e contribuir para impacto positivo, não apenas para velocidade.
Esta política parte também do compromisso de que o uso da inteligência artificial deve respeitar a dignidade, a diversidade e os direitos de todas as pessoas. Sistemas de IA podem reproduzir ou amplificar vieses presentes nos dados, nos contextos e nas próprias formas como são desenvolvidos e utilizados. Por isso, seu uso na Creators deve buscar prevenir discriminações, exclusões, estereótipos ou tratamentos injustos relacionados, entre outros fatores, a raça, cor, etnia, origem, gênero, identidade de gênero, orientação sexual, idade, deficiência, religião ou qualquer outra condição pessoal ou social.
Toda interação digital depende de infraestrutura física. Data centers usam eletricidade, equipamentos e sistemas de refrigeração. Como o consumo real varia por modelo, provedor, localização, hardware e matriz energética, evitamos equivalências absolutas sem fonte e tratamos indicadores ambientais como estimativas transparentes, revisáveis e contextualizadas.
2. A quem e a que esta política se aplica
Esta política orienta o uso de IA realizado em nome da Creators por sócios, colaboradores, freelancers, parceiros e fornecedores, em projetos internos, comerciais, estratégicos, criativos e administrativos. Abrange ferramentas gratuitas ou pagas, públicas ou corporativas, incluindo chatbots, assistentes, geradores de imagem e vídeo, transcrição, automação, agentes e recursos de IA incorporados a softwares.
Contratos, NDAs, regras específicas de clientes e requisitos legais aplicáveis continuam sendo observados. Quando uma exigência específica for mais restritiva, ela prevalece para aquele contexto.
3. Nosso princípio central
A IA deve ampliar a capacidade humana, nunca substituir a responsabilidade humana.
Na Creators, a tecnologia pode participar da pesquisa, exploração, estruturação e execução. A intenção, o discernimento, a curadoria, a decisão ética e a responsabilidade pela entrega continuam sendo humanos.
4. Nossos 10 princípios de uso consciente
1. Pensamos antes de perguntar
Antes de recorrer à IA, buscamos compreender o problema, formular uma hipótese ou definir o que precisamos descobrir. Isso evita que a ferramenta determine prematuramente o enquadramento da questão e preserva participação intelectual no processo.
2. Usamos IA para ampliar inteligência, não para substituir julgamento
A IA pode resumir, comparar, sugerir, simular e organizar. Ela não possui responsabilidade moral, conhecimento completo do contexto nem garantia de verdade. Quanto maior o impacto sobre clientes, pessoas, reputação, orçamento ou sociedade, maior deve ser a supervisão humana. Não utilizamos IA como único fundamento para decisões que afetem pessoas e avaliamos criticamente resultados que possam reproduzir vieses, estereótipos, exclusões ou discriminações.
3. Valorizamos qualidade acima de quantidade
Mais prompts, imagens ou variações não significam necessariamente um trabalho melhor. Priorizamos clareza de briefing, intenção, referências adequadas e ciclos de refinamento com critérios, reduzindo retrabalho, dispersão, custos e consumo computacional.
4. Questionamos e verificamos respostas
Modelos generativos podem produzir conteúdo plausível, porém incorreto, incompleto, desatualizado ou sem base verificável. Fatos, números, citações, leis, estudos, referências e declarações relevantes devem ser conferidos em fontes confiáveis. A fluidez de uma resposta não é evidência de precisão.
5. Protegemos a criatividade, a autoria e o repertório humano
A IA pode apoiar exploração, mas não deve apagar a origem das ideias nem substituir o desenvolvimento de repertório. Valorizamos observação, pesquisa cultural, escuta, cocriação, experiência vivida e sensibilidade. Entendemos criação e design como processos essencialmente humanos e relacionais, construídos por meio de escuta, repertório, pesquisa, diálogo, diferentes olhares, experiências e trocas entre pessoas. A IA pode participar desse percurso como ferramenta de apoio, exploração ou execução, mas não substitui as relações, os encontros e as experiências que dão contexto, intenção e significado ao trabalho. Buscamos preservar contribuição humana substancial ao longo do processo criativo.
6. Preservamos aprendizado e autonomia cognitiva
A terceirização cognitiva pode ser útil, mas o risco aparece quando toda dificuldade é removida antes que a pessoa compreenda o problema, formule critérios ou pratique uma habilidade. Incentivamos comportamentos que preservem reflexão, curiosidade, repertório e pensamento crítico.
7. Reconhecemos o impacto ambiental e evitamos desperdício digital
Sistemas de IA dependem de data centers, energia, água, materiais e cadeias de equipamentos. O impacto de uma tarefa isolada pode ser pequeno e difícil de estimar com precisão, mas o uso em escala é relevante. Nossa resposta é adotar proporcionalidade, reduzir tentativas sem direção e comunicar estimativas com transparência.
8. Protegemos dados, confidencialidade e informações de clientes
Não tratamos ferramentas públicas de IA como ambientes privados. Dados pessoais, informações estratégicas, arquivos de clientes e materiais inéditos exigem finalidade legítima, necessidade, controles adequados e compatibilidade com contratos e regras aplicáveis. Sempre que possível, minimizamos ou anonimizamos dados e utilizamos apenas ferramentas compatíveis com o nível de proteção exigido.
9. Mantemos transparência, autoria e responsabilidade humanas
O uso de IA deve ser declarado quando for material para a compreensão da entrega, quando o cliente exigir ou quando a omissão puder induzir alguém a acreditar que um conteúdo, imagem, voz, depoimento ou análise é inteiramente humano ou documental. Transparência não exige detalhar cada correção gramatical, mas exige honestidade sobre participação significativa da IA.
10. Aprendemos, documentamos e revisamos continuamente
A tecnologia, a legislação, os modelos de negócio e as evidências científicas mudam rapidamente. Por isso, esta política não é definitiva. Registramos aprendizados e revisamos nossas práticas, ferramentas e diretrizes periodicamente.
5. Como tratamos informações e dados
Antes de utilizar IA, consideramos a natureza da informação envolvida. Conteúdos públicos podem ser utilizados com verificação de fonte. Informações internas devem ser compartilhadas apenas quando necessárias e em ferramentas adequadas. Briefings, estratégias, propostas, contratos, dados comerciais e materiais inéditos de clientes exigem controles compatíveis com sua confidencialidade. Dados sensíveis, credenciais, segredos industriais e outras informações de maior risco não devem ser inseridos em ferramentas de IA sem processo específico, fundamento aplicável e controles apropriados.
A proteção não termina no prompt. Imagens, vozes, textos, perfis e outras saídas produzidas pela IA também podem envolver dados pessoais e direitos de pessoas reais.
6. Usos que consideramos adequados e limites importantes
Entre os usos que podem apoiar nosso trabalho estão organização de ideias, brainstorming com curadoria, revisão linguística, síntese de documentos autorizados, tradução preliminar, automação de tarefas repetitivas, crítica de argumentos, criação de contrapontos e exploração visual para referência interna.
Alguns usos exigem cuidado ou aprovação específica, especialmente geração de imagens, vídeos ou vozes destinadas à publicação; manipulação de características identificáveis de pessoas reais; análise de dados de clientes ou colaboradores; automações que executem ações externas; agentes com acesso a sistemas; temas de alto risco; materiais protegidos de terceiros; e treinamento ou customização de modelos com conteúdo da Creators ou de clientes.
Não aceitamos fabricação de dados, fontes, resultados, depoimentos ou evidências; conteúdo discriminatório, manipulativo, enganoso ou ilegal; uso indevido de credenciais ou informações restritas; entregas sem revisão humana responsável; vigilância ou avaliação cognitiva oculta ou punitiva; nem tentativas de contornar direitos autorais, licenças, contratos ou controles de segurança.
7. Direitos, autoria, imagem e identidade
Usar IA não cria uma zona sem regras. As responsabilidades existentes ao criar, contratar, publicar e compartilhar informações continuam válidas quando uma ferramenta de inteligência artificial participa do processo.
No Brasil, a legislação autoral vigente define como autor a pessoa física criadora da obra literária, artística ou científica. Quando a IA tiver participação relevante em uma criação, preservamos e, quando necessário, documentamos a contribuição humana, incluindo concepção, direção criativa, escolhas, seleção, edição, combinação e transformação do resultado.
Também não presumimos que conteúdos gerados por IA estejam livres de direitos de terceiros. Obras, fotografias, músicas, textos, personagens, logotipos, marcas e identidades visuais continuam sujeitos a direitos, licenças e restrições.
Imagem, voz, nome e outros elementos capazes de identificar uma pessoa exigem cuidado especial. Não utilizamos IA para fazer uma pessoa real parecer dizer, fazer, vestir, apoiar ou participar de algo que não aconteceu sem verificar previamente a legitimidade do uso e as autorizações aplicáveis.
8. Transparência com clientes e públicos
Buscamos ser transparentes quando a participação da IA for significativa para o entendimento da origem, autenticidade ou confiabilidade de um material. A forma de comunicação deve ser proporcional ao contexto e não burocrática.
A declaração de uso de IA não corrige um uso que seria inadequado sem ela. Transparência é uma camada de responsabilidade, não uma autorização.
Exemplos de comunicação que podem ser adotados, conforme o caso:
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“Conteúdo desenvolvido com apoio de inteligência artificial e revisão integral da equipe Creators.”
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“Imagem criada por IA para fins ilustrativos; não representa registro documental.”
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“A IA foi utilizada para organizar referências e produzir uma primeira versão, posteriormente revisada e reescrita pela equipe.”
9. Autonomia cognitiva e cultura de aprendizagem
Incentivamos a IA como parceira de aprendizagem, e não como atalho permanente. Não tratamos tempo de uso ou quantidade de interações como diagnóstico de inteligência, saúde mental ou capacidade profissional. Valorizamos práticas como começar tarefas estratégicas com leitura ou hipótese humana, pedir crítica e contrapontos, reformular aprendizados com as próprias palavras, comparar fontes e perspectivas, reservar atividades sem IA para exercitar habilidades centrais e avaliar a qualidade do resultado, não apenas o volume de uso.
10. Sustentabilidade e mensuração ambiental
Reconhecemos que o crescimento da IA aumenta a demanda por infraestrutura computacional. Ao comunicar impactos ambientais, distinguimos valores medidos de valores estimados, informamos fontes e premissas quando disponíveis, preferimos faixas quando não houver precisão suficiente e evitamos equivalências alarmistas que sugiram causalidades que os dados não sustentam.
Nosso objetivo é compreender escala e promover escolhas melhores, não produzir culpa ou uma falsa sensação de exatidão.
11. Revisão humana e responsabilidade
Toda saída de IA utilizada em trabalhos da Creators passa por revisão proporcional ao risco. Consideramos veracidade e atualidade; coerência com briefing e estratégia; vieses e representações inadequadas; direitos autorais, imagem, voz, nome, marcas e licenças; privacidade e confidencialidade; distinção entre fato, estimativa, hipótese e opinião; qualidade estética e técnica; e impactos possíveis sobre pessoas, comunidades e meio ambiente.
A IA pode ajudar a criar, mas não assume responsabilidade pelo resultado. A responsabilidade final pelas decisões, aprovações e entregas permanece humana.
12. Governança e atualização
A política é coordenada e revisada pela Creators by Truth e deve ser atualizada periodicamente ou quando houver mudanças relevantes em legislação, ferramentas, contratos, evidências ou modelo de operação. Ferramentas adotadas também podem ser reavaliadas quando seus termos de uso, políticas de privacidade, recursos de treinamento, retenção de dados ou condições de uso comercial forem alterados de forma relevante.
Quando houver dúvida razoável sobre direitos, dados, confidencialidade, autenticidade, segurança ou autorização, a orientação é interromper o uso até que a situação seja adequadamente avaliada.
13. Referências e bases utilizadas
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Brasil. Lei nº 13.709/2018 — Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
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Brasil. Lei nº 9.610/1998 — Lei de Direitos Autorais.
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Brasil. Lei nº 9.279/1996 — Lei da Propriedade Industrial.
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Brasil. Lei nº 10.406/2002 — Código Civil.
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Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Radar Tecnológico nº 3 — Inteligência Artificial Generativa.
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Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Radar Tecnológico nº 6 — Deepfakes (2026).
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NIST. Artificial Intelligence Risk Management Framework (AI RMF 1.0) e Generative AI Profile (NIST AI 600-1).
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OECD. Recommendation of the Council on Artificial Intelligence / OECD AI Principles.
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UNESCO. Recommendation on the Ethics of Artificial Intelligence.
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UNESCO. Guidance for Generative AI in Education and Research.
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International Energy Agency (IEA). Energy and AI; Energy demand from AI.
A regulamentação específica de inteligência artificial permanece em evolução. As referências acima fundamentam princípios gerais e não validam uma fórmula única para medir impacto cognitivo individual ou consumo ambiental por prompt. Sempre que forem utilizadas estimativas, devem ser apresentadas com metodologia, limitações e data de atualização.

